quarta-feira, 22 de junho de 2016

OMAR KHAYYAM O POETA DO VINHO

Omar khayyam (1048-1131) foi um poeta, matemático, filósofo (foi discípulo de Avicena) e astrônomo persa. Ele era bom em todas essas áreas de conhecimento. Sua obra mais importante foi um tratado de álgebra. No ano 1074 ele fez uma reforma do calendário persa que ficou tão preciso que acusou um erro de um dia em 5 mil anos. Mas Omar Khayyam se imortalizou graças à sua poesia. Ele é o autor de Rubaiyat que poderíamos chamar de uma coletânea de odes ao vinho. As Rubaiyat constituem 170 pequenos poemas. Na maioria deles o binômio vinho e mulher está presente (cá pra nós as duas melhores coisas desse mundo). Pretendo colocar aqui todos os que falam de vinho. Minhas fontes são duas traduções a de um brasileiro: Torrieri Guimarães e outra do  português Fernando Castro. Como havia alguma diferença entre as traduções eu editei e apresento para vocês a forma que me pareceu mais bonita.

CINCO
    Uma vez que ignoras o que te reserva o dia de amanhã,
    procura ser feliz, hoje.
    Pega uma garrafa de vinho, senta-te ao luar e bebe
    tendo em vista que talvez amanhã não vejas a luz da lua.
      
SEIS
    Alguém se deleitará, diariamente lendo o Alcorão?
    Tal livro supremo os homens o lêem algumas vezes.
     Já nas bordas de todas as taças de vinho encontra-se
     inscrita uma máxima de sabedoria que todos nós
     somos obrigados a saborear.

SETE
     O nosso tesouro? O vinho.
     O nosso palácio? A taberna.
     Os nossos fieis companheiros?
     A sede e o estado de graça.
     Ignoramos o medo, por sabermos
     que as nossos corações,
     nossas almas, nossas taças e roupas
     manchados pelo vinho, nada devem temer
     do pó, da água ou do fogo.

ONZE
     Toda a minha juventude refloresce, hoje.
     Vinho! Vinho! Que as suas chamas me consumam!
     Vinho! Vinho! Não importa qual...Não sou exigente.
     O melhor, creiam, acha-lo-ei amargo como a vida.

DEZESSEIS
      Amiga, nada mais me interessa.
      Traz-me vinho!
      Esta noite, a tua boca é a mais bela rosa do universo.
      Vinho! Rubro como tua face
      e os meus remorsos tão leves como as ondas dos teus cabelos.

DEZENOVE
       Tu que bebes vinho, num garrafão.
        Ignoro quem te criou.
        Somente sei que tu conténs
        três canecas de vinho
        e que um dia a morte te levará.
        Então perguntarei a mim mesmo
        por que razão tu foste criado?
        e por que foste feliz?
        e por que ao pó retornaste?

VINTE E CINCO
        Na primavera gosto de sentar-me
        na orla de um campo florido.
        E quando acompanhado de uma moça
        e de uma taça de vinho,
        A última coisa que quero saber é da minha salvação.

TRINTA E UM
        Ninguém compreende o mistério.
        Ninguém é capaz de ver o que ocultam as aparências.
        As nossas casas são provisórias, exceto a última: o cemitério.
        Amigo, bebe vinho! E dá um tempo nas elucubrações.

TRINTA E CINCO
        Eu estava com sono, quando
        a Sabedoria me disse:
        as rosas da felicidade
        nunca perfumam o sono
        Em vez de te abandorares a esse irmão da morte,
        bebe vinho. Tens a eternidade para dormir.

QUARENTA E TRÊS
        Bebe vinho! Hás de receber
        a vida eterna com ele. O vinho!
        O único filtro que pode restituir-te a juventude.
        Juventude! divina estação das rosas e dos amigos sinceros.
        Desfruta desse instante fugaz que é a vida.

QUARENTA E QUATRO
        Bebe vinho, porque dormirás longamente sob a terra,
        sem mulher e sem amigos.
        Confio-te um segredo: rosas murchas não voltam a florir.

CINQUENTA E DOIS
       Não terás vivido inutilmente
       se tiveres incrustado no teu coração a rosa do amor
       ou se tiveres procurado ouvir a voz de Deus
       ou se tiveres erguido tua taça de vinho
       sorrindo de prazer.

CINQUENTA E QUATRO
       Um jardim, uma mulher insinuante, a taça cheia de vinho,
       meu desejo e minha amargura: meu paraíso e meu inferno.
       Alguém, por acaso, sabe o que é céu ou inferno?

CINQUENTA E SEIS
      Vida que segue... Que restou
      de Bagdá ou do Império Romano?
      O menor toque é fatal para a rosa que de manhã se abriu.
      Bebe vinho e contempla a lua lembrando das civilizações
      que a rosa viu entrar em decadência.

SESSENTA
      Sucumbiremos no caminho do amor.
      O Destino nos atropelará.
      Oh! querida, Oh! minha taça encantada levanta-te
      e dá-me teus lábios, antes que eu volte ao pó.

SESSENTA E UM
      Da sorte na vida sabemos só o nome.
      Nosso amigo mais velho é o vinho novo.
      Com o olhar e as mãos acaricia o único bem que não nos decepciona:
      O odre cheio do néctar das vinhas.

SESSENTA E CINCO
      Os homens tacanhos e os vaidosos
      fazem distinção entre alma e corpo.
      Afirmo apenas que o vinho acaba com as preocupações
      e nos proporciona paz.

SESSENTA E OITO
       A vida passa qual rápida caravana.
       Desce do cavalo e procura ser feliz.
       Querida, não fique triste.
       Traz vinho que a noite já vem.

SESSENTA E NOVE
        Ouvi dizer que os amantes do vinho estão condenados.
        Não há na vida verdades, mas grandes mentiras.
        Se os amantes do vinho e do amor forem para o Inferno,
        o Céu ficará vazio.

SETENTA
        Estou velho. Minha paixão
        por ti leva-me ao túmulo,
        pois não cesso de encher de vinho minha grande taça.
        A minha paixão por ti venceu a razão da minha razão.
        O tempo desfolha indiferente a bela rosa que eu possuía.

SETENTA E CINCO
         Vinho! Meu coração enfermo pede ardentemente este remédio.
         Vinho! De aroma almiscarado! Cor de rosas vermelhas!
         Vinho! Para apagar o fogo de minha tristeza!
         Vinho! E tua harpa de cordas de seda, querida!

SETENTA E OITO
         Dedica às luzes da aurora o vinho de tua taça,
         semelhante à tulipa da primavera.
         Dedica ao sorriso de uma moça o vinho de tua taça,
         semelhante à sua boca.
         Bebe e esquece que o peso da Dor em breve te
                                                                        derrubará.

SETENTA E NOVE
         Vinho! Vinho em grandes goles!
         Que pressione as minhas veias!
         Que esquente a minha cabeça!
         Taças... não falem! É tudo mentira!
         Taças... não demorem! Estou ficando velho...

OITENTA
         De meu túmulo vai exalar um tal aroma de vinho,
         que os visitantes ficarão tontos!
         Uma aura de paz envolverá o meu jazigo,
         que os amantes não poderão afastar-se dele.

OITENTA E DOIS
         Dizem-me: "Não bebas mais Khayyam"!
         Retruco: Quando bebo entendo a voz das rosas,
         das tulipas e dos jasmins e até o que não diz minha amada.

OITENTA E TRÊS
         Em que pensas, amigo? Nos teus antepassados?
         Deles resta apenas pó.
         Pensas nos méritos deles? Não me faças rir.
         Toma este copo e vamos beber,
         percebendo em paz o grande silêncio do universo.

OITENTA E QUATRO
         A aurora encheu de rosas o firmamento.
         No ar puro ouve-se o canto do último rouxinol.
         O aroma do vinho é leve.
         E pensar que neste mundo aloprados sonham com glórias e honrarias!
         Como são sedosos teus cabelos, querida.

OITENTA E SEIS
         Ò gladiador de corações, pega essa garrafa e esse copo!
         Vamos sentar-nos junto do regato.
         Esbelto adolescente de semblante claro,
         contemplo-te enquanto penso no devenir garrafa e copo
                                                                                           que tu és.
NOVENTA E DOIS
         Ao poderio de Gengis Khan, à glória de César,
         às riquezas de Salomão, eu prefiro uma jarra de vinho.
         Viva o amante que que geme de prazer
         e desprezo o hipócrita que murmura uma prece.

NOVENTA E SEIS
         Não deixes de colher todos os frutos da vida.
         Corre a todas as festas e escolhe as maiores taças.
         Não creias que Deus considere
         os nossos vícios ou as nossas virtudes.
         E não desprezes nada que te possa fazer feliz.

NOVENTA E NOVE
         Quando a sombra da morte me atingir,
         quando o meu paletó de madeira for abotoado,
         Chamarei por vocês meus amigos,
         levem-me até minha sepultura.
         E quando eu voltar a ser pó,
         moldem com minhas cinzas uma jarra
         e encham-na de vinho. Daí então
         despertarei de novo para a vida.

CEM
         Não me preocupa saber onde posso comprar
         o véu da Perfídia ou o da Mentira.
         Mas sempre ando a procura de bom vinho.
         Os meus cabelos já estão brancos.
         Cheguei aos setenta.
         Aproveito a ocasião para ser feliz hoje.
         Talvez amanhã já não tenha mais forças.

CENTO E SEIS
         Terás do vinho o seu calor.
         Ele te libertará das névoas do passado e das brumas do futuro.
         Te inundará de luz.
         Quebrará tuas algemas de prisioneiro.  

CENTO E TREZE
         Numa cantina, pedi a um ancião
         que me dissesse algo sobre os que já se foram.
         Respondeu-me: "O certo é que não mais retornarão,
         bebe teu vinho"!

CENTO E CATORZE
         Olha! Escuta! Uma rosa balança ao vento.
         Um rouxinol dedica-lhe um canto apaixonado.
         Uma nuvem estacionou nos oferecendo sua sombra.
         Bebamos o nosso vinho!
         Esquece que a ventania arrancará as pétalas da rosa,
         levará o canto do rouxinol, e até a nuvem que nos dá sombra.

CENTO E DEZESSETE
         Esta noite ou amanhã, talvez, tu já não existirás.
         É tempo de pedires vinho cor de rosa.
         (...)

CENTO E VINTE E UM
         As estrelas deixam cair pétalas de ouro.
         Por que o meu jardim ainda não está coberto?
         Assim como o céu verte flores sobre a terra,
         encho de vinho rubro a minha taça negra.

CENTO E VINTE E DOIS
         Bebo vinho tal como as raízes do salgueiro
         bebem as águas límpidas do regato.
         Deus quando me criou, sabia que eu haveria de beber vinho.
         Se eu me abstivesse, Ele seria imperfeito.

CENTO E VINTE E TRÊS
         Só o vinho pode te livrar de tuas dúvidas.
         Só ele te impedirá de hesitar entre tantas seitas e doutrinas.
         Não te separes, pois, do mago que possui o poder
         de te conduzir ao país do esquecimento.

CENTO E VINTE E SEIS
         O vinho tem a cor rosada.
         O vinho talvez não seja o sangue da vinha, e sim do roseiral.
         Essa taça não é de cristal, mas de azul celeste coagulado.
         A noite não é tão diversa do dia, é apenas a pálpebra do dia.

CENTO E VINTE E SETE
         O vinho proporciona aos sábios
         a embriaguez dos eleitos.
         O vinho devolve-nos a mocidade e tudo o que desejamos.
         Queima-nos como uma torrente de fogo,
         mas também é um refrigério para nossa tristeza.

CENTO E TRINTA E QUATRO
         Cansado de interrogar, em vão, homens e livros,
         pensei em interpelar a taça de vinho.
         Pousei meus lábios sobre os seus,
         e murmurei. "Quado eu morrer para onde vou"?
         Ela respondeu: "Bebe na minha boca, bebe intensamente.
         Jamais voltarás aqui".

CENTO E TRINTA E SETE
         Disseram que o vinho era o único bálsamo.
         Tragam-me todo o vinho do universo!
         O meu coração está tão ferido...
         Todo o vinho do universo...
          e que meu coração conserve suas feridas!

CENTO E QUARENTA E QUATRO
         Um pouco mais de vinho, doce amada.
         As tuas faces não têm ainda o esplendor das rosas.
         Não fique triste Khayyam!
         A tua amada está prestes a sorrir para ti.

CENTO E QUARENTA E OITO
         Dissimulo a minha dor,
         porque as aves feridas se escondem para morrer.
         Vinho! Ouve meus graçejos!
         Vinho, rosas, canto lírico
         e a tua indiferença à minha tristeza, ò bem amada.

CENTO E SESSENTA E SEIS
         Todos os reinos por uma taça de vinho!
         Todos os livros e toda a ciência dos homens
         por um suave aroma de vinho!
         Todos os hinos de amor pelo som do vinho sendo derramado nas taças.
         (...)

Aqui terminam as odes nas quais o vinho está presente. Só uma ou duas não entraram
por serem fraquinhas.

    

                                                                                                 
        






                                                                  


         






      

    

   



       
     

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

O VINHO POR DRUMMOND QUANDO ERA MENINO


O vinho à mesa, liturgia.
Respeito silencioso
paira sobre a toalha.
A garrafa espera o gesto,
o saca-rolha espera
o gesto que há de ser lento e ritual.
Ergue-se o pai, grão sacerdote
e prende a garrafa entre os joelhos,
gira regira a espira metálica
até o coração do gargalo.
Não faz esforço,
não enviesa,
não rompe a rolha.
É grave, simples,
de velha norma.
Nítido espoca
o ar libertado.
O vinho escorre
sereno, distribuindo-se
em porções convenientes:
copo cheio, os grandes;
a gente, dois dedos.
Bebe o pai primeiro.
Assume a responsabilidade
sacra.
Já podemos todos
saber que o vinho é bom
e piamente degustá-lo.
Mas quem diz que bebo solene ?
Meu pensamento é o saca-rolha,
o sonho de abrir a garrafa
como ele - só ele - abre.
A roxa mácula no linho,
pecado capital.
Esse menino
não aprende nunca a beber vinho ?
Quero é aprender a abrir o vinho
e nem mesmo posso aspirar
ao direito de abrir o vinho
que incumbe ao pai e a mais ninguém
em nossa antiga religião.

terça-feira, 8 de setembro de 2015

O VINHO E A SAÚDE

O texto a seguir foi extraído do livro Tradição, conhecimento, e prática dos vinhos de autoria de Danio Braga e Celio Alzer. Danio foi o fundador da ABS -Associação Brasileira de Someliers e Celio o criador do Master of Wine (O Jogo do Vinho). Ambos são cobras em matéria de vinho.

            "Para que o vinho possa exercer uma ação benéfica sobre o organismo humano, deve ser bebido em doses moderadas. Não existe um consenso em relação à quantidade que pode ser consumida diariamente, mas a maior parte dos estudiosos considera razoável a dosagem de um grama de álcool por quilo corpóreo. Isso significa quase UM LITRO DE VINHO POR DIA, se o vinho tem 10º alcoólicos; ou uma garrafa de 750 ml, se se trata de um vinho de 13 gl, para uma pessoa de 70 kg.
            Por questões genéticas, certos indivíduos produzem maior quantidades de enzimas que combatem a ação do álcool. Pessoas mais acostumadas a beber são resistentes ao álcool. Bebendo lentamente, o álcool é melhor tolerado. Bebendo-se durante as refeições, o organismo tolera melhor os efeitos do álcool. Indivíduos com atividade sedentária são mais suscetíveis à ação do álcool.
           Bebido em quantidades moderadas, o vinho aumenta o apetite, favorece as funções digestivas e exerce um efeito sedativo e antidepressivo. Possui ainda ação vasodilatadora, diurética e hepatoprotetora. Aumenta a resistência capilar e tem um efeito antivirótico, exercido pela concentração dos taninos. Protege contra a arterioesclerose e incrementa a produção de colesterol HDL. É um estimulante respiratório e benéfico para as coronárias.
          Os vinhos brancos são mais apropriados para pessoas de pressão baixa e calmas; por sua vez, os tintos favorecem os indivíduos de pressão alta e mais agitados.
         Os diabéticos podem consumir vinho normalmente, desde que secos. Aliás para essas pessoas o álcool do vinho é muito útil, seja como fornecedor de calorias -que o diabético não pode buscar no açúcar-, seja porque sua necessidade calórica é satisfeita sem que tenha que recorrer a
insulina.

sábado, 27 de junho de 2015

LEITE, OVO E AÇÚCAR NO VINHO

          Todos nós estamos acostumados com o verso: "Tá legal, eu aceito o argumento, mas não me altere o samba tanto assim" na voz deliciosa de Paulinho da Viola.
          Alterações também acontecem no mundo do vinho. Há pouco bebi um vinho português: VINHA DO MARCO elaborado, claro, com uvas viníferas europeias. Mas que no rótulo acusava: "contém sulfitos, proteína de leite e de ovo" (negrito meu). E o clássico "não contém glúten" em letras garrafais no rótulo.
          O VINHA DO MARCO é engarrafado por uma empresa de Bucelas, Portugal.

          O objetivo da adição de proteínas de leite ou ovo, descobri, é a "clarificação": "Batem-se algumas claras de ovo muito frescas com um pouco de água e adicionam-se ao vinho na proporção de uma clara para cada 25 litros de vinho; agita-se energicamente e depois deixa-se em repouso. Este método serve principalmente para os vinhos tintos". Isso segundo o manual "Livro de Ouro das Famílias" organizado por Searom Lael e publicado por Arthur Brandão & C.ª aproximadamente no primeiro quartel do século XX em Portugal.
          Fato curioso é a publicação "não contém glúten" (uma proteína do trigo) numa bebida feita exclusivamente de uva fermentada. É tão absurdo quanto se essa inscrição constasse numa garrafa de água mineral ou de Coca-Cola. 
         Agora, no caso do vinho, se constasse a advertência "Não contém açúcar", seria apropriada porque a adição de açúcar ao vinho é um tema tabu. Adiciona-se açúcar ao vinho como "ingrediente" e não menciona-se isso no rótulo.  Uma exceção à regra é o vinho Chalise da cantina Salton que menciona entre os ingredientes: "açúcar" (não "sacarose"). Parabéns à Salton pela honestidade.
       Pra mim ovo ou leite para "clarificar" não me interessam. Gosto de vinho com aparência de café bem forte e prefiro beber em canecas de porcelana que em taças transparentes. Justamente porque na caneca o vinho fica mais escuro.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

VINHO E ANTIBIÓTICOS

Atenção amantes do vinho. Não levem a sério o MITO URBANO segundo o qual quem está fazendo uso de antibióticos não pode consumir bebidas alcoólicas. Lembrando que vinho é hábito alimentar.


Todo mundo já ouviu falar sobre o mito comum de que bebidas alcoólicas jamais devem ser misturadas com antibióticos. É verdade que o álcool pode interagir com alguns poucos medicamentos, causando náuseas, vômitos, convulsões, cólicas abdominais, dores de cabeça, erupções na pele e aceleração do ritmo cardíaco, mas a maioria destas interações é bem conhecida dos médicos.

O que vale realmente é o fato de que o álcool pode exercer uma carga extra de trabalho sobre o fígado e o sistema imunológico, além de prejudicar sua capacidade de julgamento, liberando tendências agressivas e reduzindo os níveis de energia do organismo.

Apenas algumas classes de antibióticos devem ser evitadas quando se está ingerindo bebidas alcoólicas. É importante abster-se completamente de álcool se você estiver utilizando os seguintes antibióticos:

• Metronidazol: os efeitos colaterais incluem erupções cutâneas, falta de ar, dor de cabeça, batimentos cardíacos acelerados ou irregulares, queda da pressão arterial, náuseas e vômitos.
• Tinidazol: é quimicamente semelhante ao metronidazol e pode causar as mesmas reações.
• Furazolidona.
• Griseofulvina.
• Antimaláricos (Quinacrina).
• Sulfametoxazol.

FONTES:
Referências Bibliográficas

1. Richards D, Aronson J. Oxford Handbook of Practical Drug Therapy. Oxford University Press, 2005 Edition.

2. Dale DC (Editor). Infectious Diseases: The Clinician's Guide to Diagnosis, Treatment, and Prevention. WebMD Professional Publishing, 2003 Edition. x

3. Katzung BG, Katzung B. Basic & Clinical Pharmacology – 9th edition. McGraw-Hill Medical; 2003.

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domingo, 23 de novembro de 2014

SOBRE O ODRE. Com rima e tudo.

O odre é um antigo recipiente usado para transportar líquidos. O odre, tradicionalmente, era feito de couro de cabra. O odre entrou para o inconsciente coletivo graças à passagens bíblicas do Novo Testamento. Trata-se de uma parábola de Jesus reproduzida em Mateus (9:14-17), Marcos (2:18-22), Lucas (5:33-39) e até no Evangelho de São Tomé descoberto em 1945. Reproduzo o texto de Lucas:  "Disseram eles a Jesus: 'Os discípulos de João jejuam frequentemente, e fazem orações; assim também fazem os fariseus. Mas os teus discípulos comem e bebem...' Jesus, tranquilamente, respondeu: 'Podeis fazer jejuar os convidados para o casamento enquanto o noivo está com eles? Dias porém virão, continuou Jesus, em que lhes será tirado o noivo, nesses dias hão de jejuar'. Propôs-lhes também, Jesus, uma parábola:'Não se coloca vinho novo em odres velhos para que os odres não se rompam e o vinho se perca. Vinho novo deve ser colocado em odres novos porque assim ambos se preservam. Ninguém que já bebeu vinho envelhecido quer o novo; por isso dizem que o velho é melhor', concluiu Jesus.
   Isso acontece porque o chamado "vinho novo" era um vinho ainda em processo de vinificação. A fermentação produzia gases que estufavam o odre e que poderiam arrebentá-lo.
  Jó (32:19) corrobora isso quando diz: "Por dentro estou como vinho novo arrolhado em odres novos prestes a romper".
  O que o velho odre tem a nos dizer sobre o vinho? Assim como o soldado que vai à luta leva água no seu cantil, ou o gaúcho que não larga seu chimarrão, os guerreiros da antiguidade, os peregrinos, os emigrantes todos levavam consigo o seu odre. Reis (6:27) confirma isso:"O vinho servirá para reanimar os que ficaram exaustos no deserto".
 Quando sair de casa, nesses tempos bicudos, preciso levar um odre cheio de vinho!

Abaixo um homem carregando um odre. Quadro do pintor primitivista georgiano Niko Pirosmanashvili, nais conhecido como Niko Pirosmani (1862-1918). Mais abaixo um pequeno odre.

  

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

VINHO DO PORTO LIGA RIO A PORTUGAL

   O Rio de Janeiro possui um vínculo artístico e afetivo com Portugal graças ao Vinho do Porto. Trata-se do monumento Fonte da Juventude, um presente de Adriano Ramos Pinto, produtor e comerciante de Vinho do Porto, à cidade do Rio de Janeiro representada pelo prefeito Pereira Passos, uma prova do carinho que Adriano tinha pelos brasileiros e de gratidão pelo sucesso que o grande consumo de Vinho do Porto pelos cariocas proporcionava à sua empresa. Setenta por cento (70%) desse vinho produzido pela Cave Adriano Ramos Pinto, localizada na Quinta do Bom Retiro região do Dão, era destinado ao Rio de Janeiro, à época capital da República que passava por uma verdadeira revolução urbanística, o Rio queria ser como Paris. Pereira Passos "botou abaixo" uma imensidade de casebres, abriu largas avenidas e erigiu muitos monumentos.
    Adriano Ramos Pinto, empresário arrojado e à frente de seu tempo, conferiu ao Vinho do Porto o status que tem hoje. Ele foi o primeiro a engarrafar o precioso néctar até então vendido em barricas. Mandou buscar garrafas na Alemanha e imprimir o rótulo na França. Na propaganda deixou a marca de sua ousadia em cartazes polêmicos como o de duas jovens tendo seus lábios insinuando um beijo homoerótico, separados por uma taça de vinho. O slogan da Cave dizia que os produtos da casa "dão alegria aos tristes e audácia aos tímidos". No começo do século XX no Rio de Janeiro uma taça de Vinho do Porto era conhecida como "um Adrianinho". Num dos cartazes de propaganda constava: "O vinho do Adriano Ramos Pinto é para a gente ficar tiririca". Algo como um pernambucano dizer: "É pra gente ficar arretado"...
   A Fonte da Juventude esculpida num bloco de mármore de carrara branca de sete metros de altura, exemplo de arquitetura da belle époque, apresentava três ninfas desnudas, representando a juventude, tentando alcançar Cupido, localizado no topo do monumento, simbolizando o amor.
  A obra do escultor francês Eugéne Thiever entretanto não veio parar nos jardins do bairro da Glória, tendo ao fundo a igreja do Outeiro, onde foi instalada e inaugurada em 1906, impunemente. A obra ainda estava sendo lavrada quando Pereira Passos implicou com o belo derriere exibido por uma das ninfas e sugeriu que e estátua da moça fosse trocada. Adriano, em carta, estrilou: "Só é malicioso o que fingidamente se encobre". A estátua não foi modificada pelo autor da obra, mas o foi depois que chegou ao Brasil. Colocaram um lençol de mármore envolvendo a nádega da jovem.
  Em 1935 a Fonte da Juventude foi transferida para a entrada do Túnel Novo que liga Botafogo a Copacabana, quase em frente a entrada do shopping Rio Sul. Desde 1983 não funciona mais como fonte por causa de seu uso como chuveiro de moradores de rua. O monumento não tem tido o cuidado que merece, o Cupido já teve a cabeça, os braços e uma das asas quebradas. A prefeitura fez uma restauração da obra. Hoje mesmo (09/10/14) passei por lá e vi que a asa esquerda do Cupido está quebrada e que três pedaços estão "guardados" (ao alcance de mendigos e turistas) nas reentrâncias do próprio monumento.
 A vinícola do Dão patrocinou a edição da obra: Fonte Adriano Ramos Pinto, o Vinho do Porto e a arte da Belle Èpoque no Rio de Janeiro de autoria de Ana Filipa Correia na qual é possível ver imagens do monumento original.

Abaixo dois cartazes utilizados por Adriano Ramos Pinto. As fotos em p&b são de alta resolução.