quinta-feira, 14 de novembro de 2019

ROMANÉE-CONTI O VINHO DOS RICOS E DOS CORRUPTOS

Amigos do vinho (Enófilos).
  O conteúdo deste blog virou um livro sobre publicado pelo Clube de Autores. Claro que deletei o que do blog virou conteúdo do livro. O BARRIS DE CARVALHO ficou magrinho, mas vou voltar a produzir conteúdo para ele. A seguir uma imagem da capa e link da editora que leva direto ao livro.
 LINK PARA O LIVRO DO VINHO:https://clubedeautores.com.br/livro/romanee-conti-o-vinho-dos-ricos-e-dos-corruptos?fbclid=IwAR3sLD0cT-LFDxx7vkcHoxBCAaN7n94EJb3xFdsKaHjS-OYm1PSopZKxPH8

segunda-feira, 17 de junho de 2019

VINHO E MEDICINA

 Vinho e medicina na França 


Adega Histórica dos Hospícios de EstrasburgoDireito de imagemALAMY
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O médico grego Hipócrates, conhecido como o pai da medicina, fez experimentos com vários tipos de vinho para tratar doenças, acreditando que "o vinho é apropriado para a humanidade, tanto para o corpo saudável quanto para o corpo doente". Nos tempos modernos, nós aprendemos que devemos beber com moderação, mas, na França, um país cuja viticultura remonta ao século 5 a.C, "à votre santé" - ou "à sua saúde" - é um brinde que ressoa bem até no século 21.
Para aprender mais sobre a relação  entre vinho e medicina na França, eu visitei uma adega nas entranhas de um hospital medieval em Estrasburgo, cidade localizada, no leste do país. Thibaut Baldinger é o nome do gerente da adega que visitei.


VinhoDireito de imagemGETTY IMAGES
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Desde 1395, o Hospital Civil de Estrasburgo tem uma relação simbiótica com a Adega Histórica dos Hospícios, que fica exatamente embaixo do hospital: um literalmente não existiria sem o outro.  Segundo Baldinger: "Era uma prática comum na França, já que as vinícolas geravam renda para os hospitais e as adegas, que funcionavam como geladeiras enormes, eram os locais perfeitos para manter os vinhos na temperatura certa".

A coisa funcionava assim: Uma garrafa de Châteauneuf-du-Pape, por exemplo, seria a prescrição médica para o inchaço, enquanto uma garrafa do preferido do verão por aqui, Côtes de Provence rosé, era usado para tratar a obesidade.
Colesterol alto? Duas taças de Bergerac. Para herpes, era recomendado que os pacientes tomassem um banho de banheira com o adorável Muscat de Frontignan. Problemas de libido? Seis taças de Saint-Amour transformariam o paciente em um Don Juan na hora - curiosamente, duas jarras desse vinho também eram recomendadas para "problemas femininos".

AdegaDireito de imagemMELISSA BANIGAN/BBC
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"E quanto ao fígado?", perguntei. Baldinger riu: "Talvez alguns tratamentos funcionassem melhor que outros, Melissa. Disse ele".

Apesar dos tratamentos de vinho terem sido encerrados há várias décadas, a adega continua tendo um papel importante na produção de vinho ao continuar mantendo alguns dos melhores vinhos do país em troca apoia financeiramente o hospital. Em 1995, porém, a adega quase foi relegada aos livros de história devido ao que Baldinger chamou de "falta de lucratividade".
No final do século XX, a adega foi forçada a abandonar os barris gigantes de vinho envelhecido depois que uma lei do país - a Loi Évin - foi aprovada em 1991. A lei era rígida com o armazenamento de bebida em porões de estabelecimentos de saúde.

VinhoDireito de imagemMELISSA BANIGAN/BBC
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O antecessor de Thibaut Baldinger, Philippe Junger, tornou-se um verdadeiro defensor da adega ao organizar vinicultores da região, criando a Sociedade de Interesse Agricultor Coletivo - SIAC. O grupo de pressão encontrou formas de convencer parlamentares a manter a adega aberta ao falar de sua importância histórica.

Hoje, a adega produz 140 mil garrafas de Gewürztraminer, Klevener de Heiligenstein, Sylvaner e Riesling por ano, com uvas cultivadas por 26 parceiros diferentes. A adega não faz qualquer tipo de publicidade e tem apenas um site.
"Todo produtor de vinho parceiro dá uma pequena porcentagem de sua produção à histórica loja da adega como aluguel", diz Baldinger. Os lucros da parte da produção da adega são investidos na compra de equipamento médico para o hospital.

AdegaDireito de imagemALAMY
Image captionHoje, a adega produz 140 mil garrafas de vinho por ano


E quanto à história do primeiro vinho produzido pela adega? "Eu te mostro", diz Baldinger, ele puxa uma grande chave-mestre do seu bolso e abre o portão que nos leva ao Vin Blanc d'Alsace (Vinho Branco da Alsácia), que acredita-se ser o mais antigo vinho branco mantido em um barril.
Baldinger explica que esse vinho só foi provado três vezes: a primeira foi em 1576, quando os habitantes de Zurique enviaram uma quantidade enorme de alimentos a Estrasburgo para mostrar que a cidade daria assistência em caso de necessidade.

AdegaDireito de imagemMELISSA BANIGAN/BBC
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 Baldinger diz que Estrasburgo reagiu ao ato de bondade dando uma prova do famoso vinho da cidade aos enviados de Zurique.
A segunda prova aconteceu em 1718, durante a reconstrução do hospital após um incêndio devastador. Com provas do vinho foi comemorado o início da reconstrução do hospital.
A terceira e última vez foi em 1944. Durante a Segunda Guerra Mundial. Após o fim da guerra e pouco depois da libertação de Estrasburgo, o general Leclerc tomou um gole do velho vinho.

AdegaDireito de imagemALAMY
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VinhoDireito de imagemMELISSA BANIGAN/BBC
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E as uvas originais usadas no vinho? "Infelizmente, não sabemos", diz Baldinger. "Houve muita mutação ao longo dos anos, e muita mistura de uvas nas vinícolas".

Felizmente, há vários outros tipos de vinhos vintage para provar. Baldinger abriu uma garrafa de Gewürztraminer e nos deu uma boa quantidade para provar e degustamos com prazer. 
De fato, até 1990, duas taças desse líquido eram usadas para tratar infecções. Ao sair da adega, comprei uma garrafa desse "remédio" da Alsácia para minha família colocar no seu armário de remédios - ou mesa de jantar.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

O CLUBE DO ÚLTIMO HOMEM

O CLUBE DO ÚLTIMO HOMEM

    O jornal O GLOBO em parceria com o jornal português PÚBLICO realizaram o evento VINHOS DE PORTUGAL NO RIO. Aconteceu no Palácio de São Clemente, residência oficial do Cônsul de Portugal. Já passou, foi em maio nos dias 23 a 25. Os jornais promotores do evento publicaram um fascículo sobre o evento  anexado ao jornal do dia 25/05/2014. Dessa publicação retirei essa interessante historinha:

O CLUBE DO ÚLTIMO HOMEM

 "No Dicionário Ilustrado do Vinho do Porto, obra única no gênero que o brasileiro Carlos Cabral e o português Manuel Poças Pintão editaram, em 2011, há um verbete que demonstra bem a dimensão universal do Vinho do Porto. Trata-se do  “Clube do último homem”, criado na cidade belga de Gent no século passado. Sessenta senhores belgas fundaram um clube fechado, ao ponto de não poderem ser preenchidas as vagas abertas com morte dos associados tal regra devia-se ao "pacto de morte" que justificava o clube. Em lugar de destaque no clube foi colocada uma garrafa de vinho do Porto que só poderia ser bebida pelo associado sobrevivente a todos os outros e por ocasião do funeral do último companheiro.       Quando só restavam dois sobreviventes, um deles disparou: “E se a bebêssemos agora?”. Era uma proposta indecente de quebra do pacto, mas os dois após alguns segundos de seriedade se fitando olhos nos olhos, abriram um sorriso maroto e beberam a garrafa com inenarrável satisfação, brindando à “felicidade dos seus defuntos amigos”.

sexta-feira, 16 de maio de 2014

A chaptalização continua na Europa

O lobby dos traficantes de açúcar é muito poderoso e não permitiu que a União Europeia banisse a prática de utilização de açúcar pela indústria do vinho.

Vários produtores top de Bordeaux tomaram a rara medida de adicionar açúcar ao mosto durante a vinificação das uvas da safra de 2013, a fim de elevar os níveis de álcool em seus vinhos - processo conhecido como chaptalização.


"Inicialmente a graduação alcoólica do mosto nos tanques era de 12,25%, e nós chaptalisamos até atingir 13%", disse Thomas Duroux do Château Palmer.

A última vez que isso aconteceu em Bordeaux foi em 1994. Em 2013, fatores climáticos desfavoráveis provocaram uma corrida entre a maturação e o apodrecimento das uvas. Está sendo considerada uma das mais desafiadoras safras das últimas décadas.

A chaptalização da uva pré-fermentada esteve perto de ser proibida pela União Europeia em 2008 como parte da reforma do setor vitivinícola. No final, manteve-se legal, com limites estabelecidos para as diferentes zonas geográficas de vinificação.

Regras oficiais para a safra 2013 de Bordeaux é que o château não pode adicionar mais do que 1,5% (álcool por volume) para os seus vinhos através da chaptalização. Resta aguardar para saber o quanto isso afetará a qualidade do produto final.


Fonte: Revista Decanter, junho de 2014.

domingo, 3 de novembro de 2013

CLUBE DES SOMMELIERS DE MEIA TIGELA

O Clube des Sommeliers é uma invenção dos Supermercados Pão de Açúcar. Desse Clube só conheço o nome. Não sei quantos sommeliers dele fazem parte ou quem são. Só vejo a marca em garrafas de vinho. Se um vinho é recomendado por um coletivo de sommeliers, isso é indicativo de que aquele vinho é bom. E que a gente pode comprar esse vinho sem medo.
Mas isso não é verdade. A marca do Clube des Sommeliers é encontrável em vinhos suave. "Suave" neste caso é um termo enganador. Suave é vinho com açúcar. E vinho desde os tempos bíblicos é uma bebida obtida da fermentação de uvas. Apenas isso. Usar AÇÚCAR DE CANA como ingrediente de vinho é uma forma de adulteração do vinho. Dânio Braga disse no livro que escreveu juntamente com Célio Alzer: "Adicionar açúcar ao vinho é fraude". Dânio Braga é o fundador da ABS -Associação Brasileira de Sommeliers. Meu amigo o enólogo Miguel Ângelo Vicente de Almeida retrucou que "fraude" era quando a lei é desrespeitada. Mas no caso da frase de Dânio e Célio não se trata do aspecto jurídico da coisa, e sim de CORRUPÇÃO DO VINHO COM ELEMENTOS ESTRANHOS.
No que depender da lei os brasileiros estão fritos. Porque a lei que regulamenta a produção de vinhos no país é um monstrengo jurídico, desses que resultam de leis escritas por raposas para serem aplicadas ao galinheiro. Imagine que pela lei brasileira, um vinho espumante tipo BRUT contém açúcar. Para se livrar do açúcar de cana você terá que optar pelo EXTRA BRUT. No caso do vinho "licoroso" (argh, uma droga dessa é vinho?) a lei não impõe um limite, um TETO para a adição de açúcar, mas (pasmem), um PISO. Se o produtor quiser usar 99% de açúcar ele usa.

sábado, 7 de setembro de 2013

VINHO ABSTRATO

          Sabendo que o perfume Chanel Nº 5 é um perfume "abstrato" que mistura 80 fragrâncias diferentes. Imaginei a possibilidade de se produzir um vinho "abstrato" com a mistura de dezenas de castas diferentes. Perguntei ao meu enólogo favorito Miguel Ângelo Vicente de Almeida e veja sua resposta:
       Sobre o vinho abstrato obtido da fermentação de dezenas de castas ou do blend de dezenas de vinhos de castas diferentes, todo o vinho é abstrato porque a condição humana que o avalia é abstrata, resulta de uma análise sensorial. Mesmo de uma só casta o vinho é abstrato, é de cada um ou por cada um avaliado de um jeito diferente, nós sempre nos transportamos para o vinho e nele nos encontramos, se tivermos bem nesse dia vamos encontrar só coisas boas, se estivermos mal só vamos encontrar coisas más. O vinho é abstrato, mas nele não deve existir nunca o deslumbre, estilo Romanée-Conti. 

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

A DITADURA DO AÇÚCAR E O VINHO

              O vinho "Chalise" da Vinícola SALTON, Tuiuty, Bento Gonçalves, mudou o rótulo e acrescentou na relação de ingredientes o AÇÚCAR, mesmo na versão do vinho SECO. Aqui no Brasil temos vinhos: "seco", meio seco ou "demi sec" e "suave", além do "licoroso" (argh!).
              Em países civilizados os vinhos são apenas tinto ou branco. Essa palhaçada de suave, meio seco e licoroso é coisa de brasileiro (aquilo que os argentinos chamam de coisas de 'macaquitos').
              No caso do vinho suave,  o termo "suave" é ENGANADOR. Vinho "suave" é vinho com AÇÚCAR. O açúcar misturado a uma bebida alcoólica a torna mais pesada, indigesta, e "capitosa" (sobe à cabeça mais facilmente) e a ressaca é pior.
              Vinho de verdade é uma bebida obtida  da fermentação de uvas, E SÓ. Açúcar no vinho é ADULTERAÇÃO DO VINHO,  apenas mais um passo do avanço da ditadura do açúcar.
              Não sei se essa troca de rótulos do "Chalise" se deu por um surto de HONESTIDADE da vinícola que resolveu dizer que colocava açúcar onde sempre colocou, ou se ela está apenas cumprindo a lei.
               As DUAS leis que regulamentam a fabricação de de vinho e  a de cerveja no Brasil, são  DOIS monstrengos jurídicos. Em breve colocarei aqui o texto da lei que regulamenta a fabricação de vinho (um monstrengo mais disforme que a lei da cerveja) com meus comentários. Só para vocês sentirem o gostinho, para os casos dos vinhos onde é adicionado muito açúcar, a lei oferece aos produtores de vinho um PISO de quantidade de açúcar. Quando o RACIONAL seria impor um TETO.
              Note, amado leitor, que na carta de vinhos brasileiros, você tem o "direito de escolher" entre quatro versões de vinho: 'seco', meio seco, suave e licoroso. Em TODAS as quatro versões o AÇÚCAR está presente.
               É por causa dessa IGNOMÍNIA que evito sempre os vinhos brasileiros e prefiro os portugueses, argentinos, chilenos, italianos, etc. Vinhos de países onde sei que não usam o AÇÚCAR no processo de confecção do vinho. Nosso vizinho, o Uruguai, adultera seus vinhos com AÇÚCAR. Gosto do varietal tannat, mas evito os do Uruguai. E  evito por causa disso. Já comprei vinho uruguaio com rolha da vinícola brasileira Aurora. É bem verdade que no rótulo brasileiro do vinho uruguaio, um rótulo de letras pequenas que fica no verso da garrafa, a SACAROSE está presente. O consumidor que compra o vinho lendo apenas o rótulo original será enganado.