quarta-feira, 7 de março de 2018

TAMADA Festas e vinho na Georgia

           A Georgia em matéria de vinho deixa para trás a Itália, a França e Portugal. Os vinicultores lusitanos trabalham com mais de 200 castas, os georgianos dispõem de mais de 500. No Cáucaso georgiano na província de Kakheti no Mar Negro se produz vinho em assentamentos neolíticos há mais de 8 mil anos. O vinho é inerente à identidade nacional da Georgia. Na capital Tbilisi há uma estátua em alumínio com 20 metros de altura da Mãe da Georgia (Kartvlis Deda) símbolo do caráter nacional. A mulher, de vestido longo típico, na mão esquerda segura uma tigela de vinho para receber os amigos e na mão direita uma espada para repelir os inimigos. A Georgia ao longo de sua história já foi invadida por gregos, persas, romanos, árabes, mongóis, turcos, russos e soviéticos.
         Consta que a palavra vinho etimologicamente vem do georgiano ghvino. O povo georgiano produz muito vinho caseiro por um processo de vinificação milenar denominado qvevr. O vinho é elaborado em jarras de cerâmica que ficam enterradas por perto de sete meses. Como subproduto é feita uma aguardente com teor alcoólico de 80% chamada Chacha.
          O povo georgiano é hospitaleiro e festeiro. E as festas são animadas por um personagem típico, o TAMADA. Ele é responsável pelo entretenimento e seu papel é criar e manter uma atmosfera agradável e alegre. É o tamada que administra os brindes que são feitos durante as festas e o primeiro brinde é em homenagem a ele mesmo assim que é escolhido. É comum durante o brinde a exortação "Que ele nos proporcione bons momentos". A escolha do tamada depende do evento. Se for uma pequena reunião de amigos, o tamada geralmente é o dono da casa. E neste caso não há o primeiro brinde a ele. Também se costuma deixar a escolha do tamada à pessoa mais idosa da festa. Quando se trata de um grupo de amigos que se reúne com frequência eles podem fazer um revesamento de tamadas.
          Em eventos maiores a escolha é mais democrática e várias pessoas sugerem candidatos com talentos específicos para o cargo. E o tamada é eleito antecipadamente. De preferência deve ser uma pessoa eloquente, smart, de raciocínio rápido e bem humorada. Quando se revela um bom tamada ela costuma ser solicitada para o papel com frequência.
         O tamada ao propor um brinde  deixa o momento seguinte para desenvolver o motivo do brinde, às vezes isso resulta numa disputa entre oradores. Por outro lado a depender do que esteja sendo brindado, os homens podem ser instados a se levantar e beber seu vinho em silêncio. Quando uma pessoa é brindada, o tamada chama a atenção de todos para as qualidades que distinguem a pessoa homenageada. Segundo os georgianos o tamada é o ditador da mesa. Nas festas os convidados têm que pedir permissão a ele para abandonar a mesa ou o evento.
        Ao povo georgiano não faltam motivos para se brindar. O dez temas básicos, por tradição: 1) A Deus e à paz; 2) À Georgia; 3) Aos antepassados; 4) Às crianças e à vida; 5) À um fato especial (aniversário, casamento, graduação, etc.; 6) Aos pais; 7) Às mulheres; 8) Aos amigos; 9) Ao amor e ao belo; 10) À família anfitriã.
        A relação completa, na verdade, ultrapassa 150 motivos. Mas, apesar dos georgianos usarem um  copo pequeno para esses brindes, podem ficar tranquilos que as pessoas não são obrigadas a fazer todos esses brindes. E também o próprio tamada é obrigado a se segurar porque se ele se embriagar, segundo a tradição, isso é  motivo de vergonha para os georgianos.
       
 Foto 1. Tela do pintor primitivista georgiano Niko Pirosmani.
 Foto 2. Escultura em bronze do século VII aC na cidade de Vani de um tamada.
A estátua Kartvlis Deda do escultor Elguja Amashukeli.

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