sábado, 27 de junho de 2015

LEITE, OVO E AÇÚCAR NO VINHO

          Todos nós estamos acostumados com o verso: "Tá legal, eu aceito o argumento, mas não me altere o samba tanto assim" na voz deliciosa de Paulinho da Viola.
          Alterações também acontecem no mundo do vinho. Há pouco bebi um vinho português: VINHA DO MARCO elaborado, claro, com uvas viníferas europeias. Mas que no rótulo acusava: "contém sulfitos, proteína de leite e de ovo" (negrito meu). E o clássico "não contém glúten" em letras garrafais no rótulo.
          O VINHA DO MARCO é engarrafado por uma empresa de Bucelas, Portugal.

          O objetivo da adição de proteínas de leite ou ovo, descobri, é a "clarificação": "Batem-se algumas claras de ovo muito frescas com um pouco de água e adicionam-se ao vinho na proporção de uma clara para cada 25 litros de vinho; agita-se energicamente e depois deixa-se em repouso. Este método serve principalmente para os vinhos tintos". Isso segundo o manual "Livro de Ouro das Famílias" organizado por Searom Lael e publicado por Arthur Brandão & C.ª aproximadamente no primeiro quartel do século XX em Portugal.
          Fato curioso é a publicação "não contém glúten" (uma proteína do trigo) numa bebida feita exclusivamente de uva fermentada. É tão absurdo quanto se essa inscrição constasse numa garrafa de água mineral ou de Coca-Cola. 
         Agora, no caso do vinho, se constasse a advertência "Não contém açúcar", seria apropriada porque a adição de açúcar ao vinho é um tema tabu. Adiciona-se açúcar ao vinho como "ingrediente" e não menciona-se isso no rótulo.  Uma exceção à regra era o vinho Chalise da cantina Salton que mencionava entre os ingredientes: "açúcar" (não "sacarose"). Mas recentemente o Chalise mudou de rótulo e apagou a menção ao açúcar.
       Pra mim ovo ou leite para "clarificar" não me interessam. Gosto de vinho com aparência de café bem forte e prefiro beber em canecas de porcelana branca que em taças transparentes. Justamente porque na caneca o vinho fica mais escuro.

2 comentários: