quarta-feira, 8 de outubro de 2014

VINHO DO PORTO LIGA RIO A PORTUGAL

   O Rio de Janeiro possui um vínculo artístico e afetivo com Portugal graças ao Vinho do Porto. Trata-se do monumento Fonte da Juventude, um presente de Adriano Ramos Pinto, produtor e comerciante de Vinho do Porto, à cidade do Rio de Janeiro representada pelo prefeito Pereira Passos, uma prova do carinho que Adriano tinha pelos brasileiros e de gratidão pelo sucesso que o grande consumo de Vinho do Porto pelos cariocas proporcionava à sua empresa. Setenta por cento (70%) desse vinho produzido pela Cave Adriano Ramos Pinto, localizada na Quinta do Bom Retiro região do Dão, era destinado ao Rio de Janeiro, à época capital da República que passava por uma verdadeira revolução urbanística, o Rio queria ser como Paris. Pereira Passos "botou abaixo" uma imensidade de casebres, abriu largas avenidas e erigiu muitos monumentos.
    Adriano Ramos Pinto, empresário arrojado e à frente de seu tempo, conferiu ao Vinho do Porto o status que tem hoje. Ele foi o primeiro a engarrafar o precioso néctar até então vendido em barricas. Mandou buscar garrafas na Alemanha e imprimir o rótulo na França. Na propaganda deixou a marca de sua ousadia em cartazes polêmicos como o de duas jovens tendo seus lábios insinuando um beijo homoerótico, separados por uma taça de vinho. O slogan da Cave dizia que os produtos da casa "dão alegria aos tristes e audácia aos tímidos". No começo do século XX no Rio de Janeiro uma taça de Vinho do Porto era conhecida como "um Adrianinho". Num dos cartazes de propaganda constava: "O vinho do Adriano Ramos Pinto é para a gente ficar tiririca". Algo como um pernambucano dizer: "É pra gente ficar arretado"...
   A Fonte da Juventude esculpida num bloco de mármore de carrara branca de sete metros de altura, exemplo de arquitetura da belle époque, apresentava três ninfas desnudas, representando a juventude, tentando alcançar Cupido, localizado no topo do monumento, simbolizando o amor.
  A obra do escultor francês Eugéne Thiever entretanto não veio parar nos jardins do bairro da Glória, tendo ao fundo a igreja do Outeiro, onde foi instalada e inaugurada em 1906, impunemente. A obra ainda estava sendo lavrada quando Pereira Passos implicou com o belo derriere exibido por uma das ninfas e sugeriu que e estátua da moça fosse trocada. Adriano, em carta, estrilou: "Só é malicioso o que fingidamente se encobre". A estátua não foi modificada pelo autor da obra, mas o foi depois que chegou ao Brasil. Colocaram um lençol de mármore envolvendo a nádega da jovem.
  Em 1935 a Fonte da Juventude foi transferida para a entrada do Túnel Novo que liga Botafogo a Copacabana, quase em frente a entrada do shopping Rio Sul. Desde 1983 não funciona mais como fonte por causa de seu uso como chuveiro de moradores de rua. O monumento não tem tido o cuidado que merece, o Cupido já teve a cabeça, os braços e uma das asas quebradas. A prefeitura fez uma restauração da obra. Hoje mesmo (09/10/14) passei por lá e vi que a asa esquerda do Cupido está quebrada e que três pedaços estão "guardados" (ao alcance de mendigos e turistas) nas reentrâncias do próprio monumento.
 A vinícola do Dão patrocinou a edição da obra: Fonte Adriano Ramos Pinto, o Vinho do Porto e a arte da Belle Èpoque no Rio de Janeiro de autoria de Ana Filipa Correia na qual é possível ver imagens do monumento original.

Abaixo dois cartazes utilizados por Adriano Ramos Pinto. As fotos em p&b são de alta resolução.

2 comentários:

  1. A asa esquerda que aparece na foto que ilustra o post acaba de ser quebrada. Trata-se me mármore branco de carrara. É uma pena. Bem que os amantes cariocas do vinho do porto poderiam fazer um movimento pela restauração do chafariz inclusive com a retirada do lençol colocado sobre as nádegas de ninfa que está de costas. E a recolocação da fonte no seu lugar de origem o bairro da Glória.

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  2. A segunda asa foi recentemente quebrada e roubada. Nós amantes do vinho e da cultura devíamos fazer uma campanha pela restauração daquela fonte. E aproveitar para destruir o lençol pudico colocado na bunda da ninfeta que está de costas. No Rio de Janeiro do biquíni "fio dental" é de um moralismo rastaquera e anacrônico.

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