quinta-feira, 18 de julho de 2013

UMA ODE DE ANACREONTE

Poeta grego nascido no século VI a.C. (563 a.C.-478 a.C.). De sua obra restaram apenas fragmentos, quase todos falam sobre vinho.  Escreveu muitas odes populares celebrando com entusiasmo o amor, as musas, os prazeres do vinho e Dionísio. No ocidente a versão mais antiga que conhecemos é a de 1554, lançada pelo editor Henri Estienne, em Paris.
A primeira versão bilíngue grego-português lançada no Brasil foi “Odes de Anacreonte”, na bela edição do prof. Almeida Cousin, de 1948. Abaixo uma Ode ao deus Dionísio (Baco na mitologia romana).
CANTO DIONISÍACO

Sempre que bebo o alegre vinho,
logo, de coração contente,
eu vou as Musas celebrar.
Sempre que bebo o alegre vinho,
lanço os cuidados e o prudente
conselho inquieto, dos que o entoam,
ao léu dos ventos que ressoam
como os barulhos lá do mar…
sempre que bebo o alegre vinho,
Dionísio (do mal quem livra a vida),
em vernal brisa reflorida,
como me eleva e agita o ar…
Sempre que bebo o alegre vinho,
flórea coroa – que se teça
aos deuses – ponho na cabeça
e canto a vida sã feliz!
Sempre que bebo o alegre vinho,
e aromas suaves em mim chovem,
seguro ao corpo de uma jovem,
celebro a Cípria – que assim quis…
Sempre que bebo o alegre vinho,
bem a meu gosto, em taça grande,
simples, minha alma, enfim se expande
nos coros jovens, com prazer.
Sempre que bebo o alegre vinho,
tenho o meu ganho na partida:
tudo o que levo desta vida
– pois todos temos de morrer!

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