quinta-feira, 18 de julho de 2013

ODE AO VINHO E AO AMOR DE OMAR KHAYYAM

Omar Khayyam, poeta persa (1048- 1131), autor das Rubayatas. Assim como Anacreonte também celebrou as delícias do vinho e da mulher. Abaixo dois trechos dele que dão conta de sua filosofia de vida e de sua relação com o vinho.

Odes ao vinho e ao amor 

Todos os que me conhecem
sabem que jamais murmurei uma prece.
Sabem tambémque nunca ocultei os meus vícios
E os meus mais terríveis defeitos
desejos e cios.
Por vezes humano
outras animal sem tino.
Sem destino e sem razão.
Não estou certo 
se Justiça divina
ou Misericórdia
existem ou não.
Estou em paz.
Confiante e indiferente,
porque sempre fui sincero.
Apesar de imprudente.

2
O que é que valerá mais
sentar-me numa taverna,
copo na frente
a examinar a minha consciência.
Ou prostrar-me numa igreja
com o pensamento decadente
e a alma ausente?
Hoje pouco me preocupa saber
se Deus existe ou não
(porque sei que nunca o saberei).
E se no seu querer
que destinação me reserva.
Se é que para mim algo guarda.

3
Sejamos compassivos
para com os que se embriagam
de vinho e mulheres
nas vielas da perdição.
Também nós
feitos de pó
temos defeitos.
Se pensarmos
nos pobres,
nos deserdados,
nos que com frio tremem.
Em todos os infelizes
que em abundância gemem,
nos que de fome morrem.
Sentiremos a felicidade, a paz 
E a tranquilidade
bater-nos à porta com a doçura,
de quem nada procura.

4
Se és sábio
não semeies o sofrimento.
Domina-te sempre.
Controla-te a cada momento.
Não te abandones à ira
à cólera e à vingança.
Queres ter na alma a Paz?
Então sorri
ao Destino que te fere.
Mas não firas ninguém.
Que à espada morre
quem com espada mata.
Mas não comandes
nem te deixes comandar.
E só trabalhes
se fores obrigado a trabalhar.
E tu, jovem sem capataz, bebe e ama.
Até que mais não sejas capaz.

5
Faz por seres feliz hoje.
O que é que te trará o dia de amanhã?
Alegria ou tristeza,
calmaria ou borrasca, 
vida ou morte?
Agarra uma garrafa de vinho,
o colo de uma mulher.
Senta-te à luz da Lua
e bebe.
Pensando que amanhã
talvez não vejas a luz da Lua.

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