quarta-feira, 17 de julho de 2013

CHAPTALIZAÇÃO (II)

É conhecido por enólogos e enófilos o fato que grandes regiões produtoras acharam o caminho da qualidade quando submetidas a grandes desafios. A necessidade de preservar a região foi mais forte que o interesse imediato, e por isso, criaram mecanismos de estímulo à qualidade das uvas e dos vinhos.
A Serra Gaúcha enfrenta um desafio que parece ser ignorado pelas entidades ligadas ao setor: o clima que dificulta a total maturação das uvas. A solução encontrada até o momento foi permitir a chaptalização (ainda bem que limitada a 3 graus alcoólicos!) que nada mais é do que permitir o uso de açúcar exógeno (cana) para aumentar o grau alcoólico.
O problema desta medida não são as eventuais 50 gramas por litro de açúcar super refinado que pouco efeito tem. O problema é o escasso estágio de maturação que resulta em sucos e vinhos verdes, carentes de componentes da maturação que tanta diferença fazem nas características do produto final. Para os vinhos tintos então, os mais apreciados neste momento pelo mercado, a situação é catastrófica. Taninos verdes, difíceis de amaciar, amargos, são o diferencial negativo dos vinhos.
A medida que deveria ser tomada para corrigir este defeito de fábrica? Eliminar a chaptalização como pratica enológica permitida na elaboração de vinhos finos. 
Não precisaria ser uma proibição drástica, imediata. Para dar tempo às adaptações necessárias poderia ser abaixado um grau por ano e em três anos erradicar esta prática.
Para as cantinas mais ousadas que já não praticam a chaptalização esta medida não fará diferença.
Tenho certeza que surgirão problemas, diminuirá a produção por pé, algumas regiões terão mais dificuldades que outras, aumentarão os custos, mais a recompensa valerá à pena. O setor poderá dar uma demonstração de coragem e vontade de aprimorar a qualidade e o mercado seguramente irá reconhecer como já o faz em relação aos espumantes. 
Se não for aplicável a todos os vinhos finos produzidos no Brasil então que se criem duas categorias de vinho com nomes diferenciados, um chaptalizado e outro não. Será a form
a de proteger os interesses do consumidor que deve saber quem é lebre e quem é gato.

Um comentário:

  1. A Comissão de Agricultura do Parlamento Europeu, em 2007, sugeriu que a chaptalização fosse mantida onde esta era tradicional, COM UM ABANDONO PROGRESSIVO DEPOIS DE 2012.
    Fonte:Vinhos.online.pt

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